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Mostrando postagens de Novembro, 2008

Clero, nobreza e povo de Sobral

Esta resenha é espaço por demais diminuto para colocar a grandeza de Lustosa da Costa, o cronista, o jornalista e o romancista, e dizer da sua vida e da sua obra, e falar do primor e do encanto de sua prosa. Só agora chega-me às mãos o exemplar do seu belo livro Clero, nobreza e povo de Sobral, acompanhado de generosa dedicatória que fica creditada à sua indulgente bondade. Lustosa é colunista do "Diário do Nordeste", em Brasília. Foi Editor Chefe de "Unitário" e "Correio do Ceará". Em fins de 1974 passou a residir na Capital da República onde militou, por muitos anos, na sucursal de "O Estado de São Paulo" e escreveu crônicas no "Correio Braziliense". Em 2000 elegeu-se para a Academia Brasiliense de Letras e ganhou o Prêmio Ideal de Literatura, com o livro de crônicas "Rache o Procópio". Lançou em 2002, na Embaixada do Brasil em Lisboa, a edição portuguesa de seu romance "Vida, paixão e morte de Etelvino Soares",…

Ao cair da tarde

Recebi ontem o precioso livro “Ao cair da tarde” [Editora ABC, Fortaleza] de Lustosa da Costa, e de uma sentada, ou melhor, deitada [mania que tenho de ler num velho tucum de embira de carnaúba] consumi as 96 crônicas enfeixadas nesse mimoso volume de 150 páginas. “Ao cair da tarde”, pelo título, já é um poema, um verso de cinco sílabas, quer nas crônicas do cotidiano, quer no perfil de amigos ou inimigos, quer nas suas observações de viagem – o livro se banha com a unção de um lirismo encantador. Suas crônicas parecem esconder uma complexidade pressentida sob límpida naturalidade, numa prosa divagadora de quem conversa distraído, passando o tempo, sem se preocupar com o jeito de falar. E, no entanto, uma prosa cheia de achados de linguagem – uma sintaxe livre e flexível – propiciando poesia num ritmo leve e doce que nem caldo de cana espremida. Uma experiência que se transmite por estórias, que parece vir de outros tempos e retomar o fio da tradição oral, tal qual os contadores de…

Adeus ao Padre Aureliano Diamantino Silveira (1929 - 2008)

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VICENTE FREITAS Aureliano Diamantino Silveira – Padre. Professor. Advogado. Escritor, – vem desenvolvendo ao longo da sua vida, intensa atividade intelectual. E o faz revelando três cousas fundamentais: honestidade de propósitos, base cultural e espírito de justiça. Ainda muito moço emigrou para a cidade, em busca de vida nova. Mas, durante sua permanência distante do torrão natal – sua querida Bela Cruz foi sempre a evocação de todos os momentos. Pois foi ali que ele nasceu, na fazenda Lagoa Seca, distrito de Santa Cruz. Logo o menino Diamantino entrou em contato com as vilas de Santa Cruz, Cruz, Marco, e outras cidades como Camocim, Acaraú, Santana do Acaraú e Sobral. Em Correguinho, aprendeu a carta de A B C, com dona Amélia, sua primeira professora; em Camocim, assimilou as primeiras letras, com sua tia Mundica; em Lagoa do Mato, com o professor Raimundo Major, desenvolveu a leitura; em Santa Cruz, ingressou na escola municipal, cursando o primário, com a professora – sua prim…