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Mostrando postagens de Novembro, 2005

Ribeira encantada

Ao poeta Nicodemos Araújo Saudável ribeira, mel agreste sumo de orvalho e essências matinais trago no olhar o linho das nuvens e na boca sabores de luar. Vem, poeta, até este pomar vislumbrar este rio, este mar e o fogo que aqui irrompe no verão e o homem que em sua lida faz o lavrar do chão trabalho rústico de enxada e mão esforço e riqueza da nação. Esta ribeira é para nós um país de sonhos tão belo, tão diverso, original plantemos o companheirismo como árvores ao longo deste rio e assim seremos incomparáveis imbatíveis. Ribeira minha encantada gama de verde carnaubal em distante extensão murmúrios do vento celestial acariciando o coqueiral. Acaraú, meu Rio das Garças osso e carne em mim feito estrela – Sangue e Vida desta Ribeira.

Poemeto para Bela Cruz

– Trabalhando nessa terra, tu sozinho tudo empreitas: serás semente, adubo, colheita. João Cabral de Melo Neto Contemplando teus campos naturais Pólens, pingos de orvalho – na úmida várzea – Teu aniversário ouso hoje comemorar E novamente canto teu cenário silvestre: Espessos pomares Casinhas modestas Quintais pastoris Com ruídos de vila e senzala. Teus pequenos fatos anônimos Hoje queremos cantar, Com amor mais ardente Com zelo mais forte. Desta verde paisagem ribeirinha Jamais olvidamos Genoveva, a primeira habitante Capitão Diogo Lopes, o médico João Damasceno, o poeta Joca Lopes, o músico... – Onde estão todos eles? Sobre as margens deste rio encantador Permanecem. Tua gente tem a face curtida por sóis luzentes E sabe avançar recuar resistir defender-se. Tua história contém tudo: Corpos almas significados Amores belezas paixões Orgulho delicadezas cançõe…

Lição de cavalaria

Amigo Francisco: Lendo seu monólogo, ou melhor, seu diálogo consigo mesmo, sobre lição de cavalaria, me senti, de repente, encantado, ou seja, de início, achei mesmo que eu não passava de um cavalo, depois estive meditando, e, como cavalo não medita, acho, cheguei à conclusão que sou, no mínimo, um centauro; afinal, todos nós temos um pouco de centauro, não é mesmo? E já que estamos comemorando os quatrocentos anos do D. Quixote. E como D. Quixote é, na verdade, um centauro, pois não existe D. Quixote sem parte de homem e parte de cavalo, assim como não existe D. Quixote sem Sancho Pança. Mas antes da personagem genial de Cervantes vamos matutar um pouco sobre os centauros... Na mitologia grega, eram eles a personificação das forças naturais. Centauro era um animal fabuloso que habitava as planícies da Arcádia e da Tessália. Seu mito foi, possivelmente, inspirado nas tribos semi-selvagens das zonas agrestes da Grécia. Segundo a lenda, era filho de Ixíon e de Nefele, deusa das nuvens,…

Clero, nobreza e povo de Sobral

Esta resenha é espaço por demais diminuto para colocar a grandeza de Lustosa da Costa, o cronista, o jornalista e o romancista, e dizer da sua vida e da sua obra, e falar do primor e do encanto de sua prosa. Só agora chega-me às mãos o exemplar do seu belo livro "Clero, nobreza e povo de Sobral", acompanhado de generosa dedicatória que fica creditada à sua indulgente bondade.Lustosa é colunista do "Diário do Nordeste", em Brasília. Foi Editor Chefe de "Unitário" e "Correio do Ceará". Em fins de 1974 passou a residir na Capital da República onde militou, por muitos anos, na sucursal de "O Estado de São Paulo" e escreveu crônicas no "Correio Braziliense". Em 2000 elegeu-se para a Academia Brasiliense de Letras e ganhou o Prêmio Ideal de Literatura, com o livro de crônicas "Rache o Procópio". Lançou em 2002, na Embaixada do Brasil em Lisboa, a edição portuguesa de seu romance "Vida, paixão e morte de Etelvino Soa…