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Mostrando postagens de Maio, 2015
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Se pudéssemos determinar os aspectos da arte pela imagem reflexiva de seu autor, Mário Gomes seria bem o caso, pois há uma profunda analogia: tombado para frente, a camisa de cor berrante, domingueira, o cigarro ardendo na boca, protegida por um bigodão selvagem cor de cobre, com aquele ar de louco heroico estampado nas faces, os passos desmedidos, os gestos insólitos, apesar da paz que afeiçoa o semblante. É assim este poeta, e é assim sua poesia: aparentemente agressiva, incoerente, mas delicada e pura em sua humanidade: “...Respeitai as formiguinhas/porque a mulher sofre quando ri e quando chora”. Ou ainda entre tantos versos desconexos e harmoniosos como estes: “A minha mão direita/é meu divertimento/é meu cinema./Não posso destruí-la/senão ficarei sem vida”.
Bem, apesar de tudo, achamos que não dissemos nada ainda do que pretendíamos sobre “Lamentos do ego”. Mário Gomes, segundo ele próprio confessa, foi professor de Filosofia do Primário, Escola Alban…