Bela Cruz (Wikipédia, a enciclopédia livre)


Município de Bela Cruz
Brasão de Bela Cruz
Bandeira de Bela Cruz
Brasão Bandeira

Aniversário 23 de fevereiro
Fundação 23 de fevereiro de 1957
Gentílico belacruzense


Localização
Localização de Bela Cruz



Localização de Bela Cruz no Ceará

Localização de Bela Cruz em Brasil
Bela Cruz
Localização de Bela Cruz no Brasil
03° 03' 03" S 40° 10' 04" O03° 03' 03" S 40° 10' 04" O
Unidade federativa  Ceará
Mesorregião Noroeste Cearense IBGE/2008[1]
Microrregião Litoral de Camocim e Acaraú IBGE/2008[1]
Região metropolitana
Municípios limítrofes Marco, Cruz, Jijoca de Jericoacoara e Acaraú
Distância até a capital 245 km
Características geográficas
Área 841,718 km²
População 30.900 hab. est. IBGE/2009[2]
Densidade 35,8 hab./km²
Altitude m
Clima Semiárido BSh
Fuso horário UTC-3
Indicadores
IDH 0,595 médio PNUD/2000[3]
PIB R$ 68.820 mil IBGE/2005[4]
PIB per capita R$ 2.305,00 IBGE/2005[4]


Bela Cruz é um município brasileiro, do estado do Ceará, localizado às margens do Acaraú, na microrregião do Litoral de Camocim e Acaraú mesorregião do Noroeste Cearense. Bem próximo da praia de Jericoacoara.

Mapa do Ceará em 1800, com destaque para Bela Cruz.

Índice


Etmologia

O topônimo Sítio Santa Cruz foi seu primeiro nome, posteriormente 'Santa Cruz do Acaraú'. Em 1938, o Decreto Federal nº 311, deu-lhe a denominação de “Bela Cruz”, que prevalece até hoje.

História

Situado numa área conhecida e cartografada pelos portugueses em meados do século XVII, surge como núcleo urbano a partir do século XVIII. Apesar de a tradição oral dar conta de uma velha mulata (Genoveva) como a primeira habitante da localidade, isso não é exato. Diversos latifundiários e criadores de gado adquiriram sesmarias e ali passaram a morar, isso, quase um século antes da existência de Genoveva.

Seu atual território foi dividido em sesmarias, entre o final do século XVII e início do XVIII. É que a primeira sesmaria da Ribeira do Acaraú, segundo matéria publicada em “BELA CRUZ – biografia do município”, do poeta e historiador Vicente Freitas, foi concedida no dia 23 de setembro de 1683, aos pernambucanos, Manoel de Goes e seus companheiros Fernando Goes, Francisco Pereira Lima, Manoel de Almeida da Ruda, Pe. Amaro Fernandes de Abreu, Estevão de Figueiredo e Simão de Goes de Vasconcelos.

Já a 14 de outubro de 1702, Nicolau da Costa Peixoto requereu a confirmação de uma data de sesmaria, alegando que esta lhes foi concedida pelo Capitão-mor Francisco Gil Ribeiro. No registro de doação e confirmação, D. Fernando Martins Mascarenhas de Alencastro, Governador e Capitão Geral de Pernambuco e Capitanias subordinadas, incluindo aí a Capitania do Siará Grande, faz saber que Maria de Sá e Nicolau da Costa Peixoto, moradores no Siará, lhes apresentaram petição declarando que o Capitão-mor Francisco Gil Ribeiro lhes concedeu aludida data de terras na Ribeira do Acaraú e porque querem a sua confirmação, pedem que seja feito o competente registro, na forma da legislação da Coroa Portuguesa que disciplinava a concessão de sesmarias. É certo que Nicolau da Costa Peixoto fixou residência na Ribeira do Acaraú, local onde hoje se encontra a cidade de Bela Cruz – e ali fez doação de terras necessárias ao sustento do culto religioso e para a constituição do Patrimônio da Capela de Nossa Senhora da Conceição.

Em 1726 é feito o registro da data de sesmaria de Domingos Aguiar de Oliveira (concedida pelo Capitão mor Manoel Francês), Domingos Aguiar foi, também, um dos fundadores da cidade de Bela Cruz e doador de bens para o Patrimônio de Nossa Senhora da Conceição. Em sua petição, o beneficiário alega que descobriu na dita ribeira sítio de terras nas ilhargas das terras de Nicolau da Costa Peixoto, em um córrego chamado dos Tucuns, que desemboca na Lagoa do Mato e como ele suplicante não tem terras o bastante para criar seus gados e plantar suas lavouras e estas de que faz menção se acham devolutas e desaproveitadas, pede a Vossa Mercê seja servido conceder-lhe em nome de S.Majestade, por data e sesmaria na paragem acima nomeada uma légua de terra de comprido pelo dito córrego acima, e a largura de meia légua de cada banda para as gozar ele suplicante e seus herdeiros ascendentes e descendentes”. Em despacho de 19 de agosto de 1726, o Capitão mor Manoel Francês concede-lhe as terras na forma pedida.

Em 1732 construíram uma igrejinha. Esse templo consagrado a Nossa Senhora da Conceição. O patrimônio da capela foi constituído de meia légua de terra e 40 vacas, doadas pelos proprietários Domingos Aguiar de Oliveira e Nicolau da Costa Peixoto, a 12 de setembro de 1732. Em 1938, o Decreto Federal nº 311, deu ao topônimo a denominação de “Bela Cruz”. Já o município foi criado por lei de 23 de fevereiro de 1957, do então Governador do Ceará, Paulo Sarasate Ferreira Lopes, e foi instalado, oficialmente, a 25 de março de 1959.

Política

A administração municipal localiza-se na sede: Bela Cruz.

Subdivisão

O município tem 2 distritos: Bela Cruz (sede) e Prata.

Geografia

Clima

Tropical quente semiárido com pluviometria média de 1.093 mm[5] com chuvas concentradas de janeiro à abril.[6]

Hidrografia e recursos hídricos

As principais fontes de água são: rios: Acaraú e riachos: Inhanduba, da Prata e do Córrego; lagoas: J. de Sá, do Mato, do Grosso e Santa Cruz; açudes: de Araticuns, da Prata e do Cajueirinho; diversos córregos que fluem para o Rio Acaraú e riachos.

Relevo e solos

Região costeira (areias quartzosas álicas, areias quartzosas distróficas, areias quartzosas eutróficas, areias quartzosas marinhas distróficas, podzólico vermelho amarelo eutrófico) formada de dunas e Ilhas, como a Ilha do Rocha. Não possui grandes elevações.

Vegetação

Boa parte do território é coberto pela caatinga arbustiva aberta e densa, mais ao interior, e por tabuleiros costeiros.

Demografia

Sua população estimada em 2009 era de 30.000 habitantes.
  • População (IBGE: 2007): 29.627;
  • População (2000): 28.358;
  • População Urbana (2000): 11.585;
  • População Rural (2000): 16.773;
  • Densidade Demográfica (2000): 33,69 hab/km².

Economia

A economia do município concentra-se na agricultura, onde se produz castanha de caju, mandioca, milho, feijão, batata-doce, melancia e carnaúba. A pecuária também constitui fonte de emprego e renda para boa parcela da população. O comércio de Bela Cruz reveste-se de suma importância para a economia do município, contando com lojas de tecidos, armarinhos, lojas de calçados, de eletrodomésticos, de confecções, mercearias, armazéns, farmácias, materiais de construção, dentre outras. A atividade artesanal também se encontra fortemente presente, sendo sua produção bastante diversificada: bordados, rendas, varandas, redes de dormir, crochê, redes de pesca, etc. A arrecadação fiscal do município é pequena, inviabilizando ações de infra-estrutura e saneamento básico. As principais fontes de trabalho existentes, no município, concentram-se na agricultura e no comércio.
Indústrias: (mobiliário, produtos alimentícios).
PIB (2005): R$ 68.820.000; Agropecuária: 22,33%; Indústria: 8,20%; Serviços: 69,47%; Receita Orçamentária (2007): R$ 21.248.284,71

Cultura

Os principais eventos culturais são:
  • Festa dos Namorados (12 de junho),
  • Arraiá da Vizinhança - Matriz (último fim de semana de julho),
  • Festa de São Francisco - Matriz (de 25/09 a 04/10),
  • Festa de São Vicente de Paulo (27 de setembro),
  • Festa do Caju - desde 1967, no último fim de semana de outubro,
  • Festa da Padroeira - Nossa Senhora da Conceição (8 de dezembro).
Filhos ilustres: Nicodemos Araujo - Poeta e historiador; João Damasceno Vasconcelos - Poeta; João Venceslau Araujo - Escultor e músico; Vicente Freitas - Jornalista e escritor; Pe. Aureliano Diamantino Silveira - Escritor; João Ambrósio de Araujo Filho - Cientista.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. Estimativas da população para 1º de julho de 2009 (PDF). Estimativas de População. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (14 de agosto de 2009). Página visitada em 16 de agosto de 2009.
  3. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  4. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2002-2005. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (19 de dezembro de 2007). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos - FUNCEME.
  6. Instituto nacional de Pesquisa espacial - INPE.

Ligações externas


Bibliografia
ARAUJO, Nicodemos. Bela Cruz – de prédio rústico à cidade. Editora A Fortaleza,1967; Descendência de meus avós. Editora A Fortaleza, 1977; Capitão Diogo Lopes. Fortaleza: Edições UFC, 1978.
ARAUJO, Vicente Freitas de. Bela Cruz – biografia do município. Fortaleza: Edição do Autor, 2008.
BRAGA, Renato. Dicionário Geográfico e Histórico do Ceará, vol. 2. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1967.
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