Poeta sou, por sina e por verdade,
Não
por escolha ou mero ofício vão;
Trago
no sangue a eterna claridade,
E a
poesia me habita o coração.
Não
posso renunciar à identidade
Que
fez de mim seu cativo e guardião;
Tal
como o rei, o santo, em sua herdade,
Ou o
réu que traz a noite por brasão,
Assim
me cumpre a voz que me consome,
E o
verso é minha pátria e meu destino;
Não
há quem possa destecer meu nome.
Nasci
poeta, e assim traçou-se o sino
Que
anuncia, entre as sombras, minha sorte:
Sou
poesia, até depois da morte.
Vicente Freitas
Liot
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