quinta-feira, setembro 24, 2015

O NOME DO POETA

Poeta sou, por sina e por verdade,

Não por escolha ou mero ofício vão;

Trago no sangue a eterna claridade,

E a poesia me habita o coração.

 

Não posso renunciar à identidade

Que fez de mim seu cativo e guardião;

Tal como o rei, o santo, em sua herdade,

Ou o réu que traz a noite por brasão,

 

Assim me cumpre a voz que me consome,

E o verso é minha pátria e meu destino;

Não há quem possa destecer meu nome.

 

Nasci poeta, e assim traçou-se o sino

Que anuncia, entre as sombras, minha sorte:

Sou poesia, até depois da morte.

 

Vicente Freitas Liot                          

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