O Poeta Costa Senna

O cantor, compositor, ator e cordelista Costa Senna já foi bem mais conhecido dos cearenses do que hoje é dos paulistanos, pelo menos os que se identificam com a cultura popular nordestina, tão importante para a formação cultural daquela cidade. Há 18 anos por lá, o poeta cearense está prestes a se tornar cidadão paulistano, em sessão da Câmara de Vereadores marcada para 16 de maio. Na noite de 16 de abril de 2008, o músico e poeta popular apresentou-se no Teatro do Centro Dragão do Mar, lançando mais um livro “Caminhos Diversos - sob o signo do cordel”.

No palco, Costa Senna mostra uma fusão de elementos da cultura nordestina, e chega ao rap urbano e universal. “Ecos Lógicos - do repente ao rap” contará com a participação do grupo maranguapense UnirVersos, título inspirado em “Fábrica de UnirVersos”, seu mais recente álbum. Uma visão ecológica e de amor à nordestinidade, inspirada na verve poética do artista. Coco, embolada, xote e baião dão o ritmo aos motes sociais defendidos pelo poeta. “Um show pra pensar, mas também para rir, esta marca única da música nordestina”, ressalta. Mas os quase 20 anos de Sampa também se refletem na contemporaneidade do hip hop. “O rap deriva do repente, mesmo que a rima deles não seja tão pura quanto a nossa”.

Música - Lembrando o Brasil Cabloco Música - Viagem no Alfabeto Cordel, poesia oralSegundo Costa Senna, o cordel foi sua primeira manifestação, “nesses últimos dez anos, pegando meu próprio cordel e tirando o excesso de rimas para transformá-lo em música”. O cordel, acrescenta, é uma linguagem muito presa às rimas e metrificações, algo que a música deixa mais solto. Sua poética aborda temas sociais e de duplo sentido. “Afinal, é um livro popular”. Como em “Fábrica de UnirVersos”, reúne temas infantis na cantiga circense “Cacá”, na canção “Escola” e no trava-língua abcdário “Viagem no Alfabeto”, o cordelista tem também publicações para o público infantil: “Escrevo cordel para criança, na base do repente e de rap”.

Para Senna, “a poesia oral ainda encanta, estamos no único país do mundo onde as pessoas riem pela música, a música do Brasil, do Nordeste. Tem mensagem e tem alegria. Não perco isso, mesmo morando há muito tempo lá”.No show de hoje, ele apresenta 14 músicas próprias e fragmentos de cordel, inclusive deste livro, ao lado da formação maranguapense do Unir Versos. “Não sou repentista, meu negócio é escrever”. Por isso mesmo, ele está sempre com cordelistas como Rouxinol do Rinaré, Klévisson Viana e Arievaldo Viana. “As editoras estão aderindo mais, já estive na Olho D’Água, Paulinas e agora vai sair pela Nova Alexandria ‘Viagem ao Centro da Terra’”, de Júlio Verne”.

A mesma coleção conta com textos de Klévisson, Moreira de Acopiara e Rouxinol do Rinaré.Aventuras em SampaEm Sampa, Costa Senna acaba de participar ainda do álbum do livro “São Paulo minha cidade.com”, editado pela Prefeitura da cidade, através de depoimentos mandados por e-mail. “Viagem por São Paulo”, um rap de “Moço das Estrelas” (2002), seu primeiro CD, está entre o mineiro Téo Azevedo, o paulista Paulo Vanzolini, em depoimento sobre “Ronda” e sobre São Paulo; o cantador pernambucano Sebastião Marinho; Osvaldinho da Cuíca, falando sobre o samba paulistano; e ainda Zica Bergami, sobre seu “Lampião de Gás” .

“Sinto muita dificuldade em fazer trabalhos em minha cidade, parece que existe uma força invisível boicotando. Já na terceira maior cidade do mundo, obtive este reconhecimento”, diz Costa Senna, feliztambém com a homenagem da Câmara de Vereadores paulistana. “Aqui existe uma miopia cultural. Esse reconhecimento vale mais do que qualquer dinheiro”, aponta, questionando os ecos de uma mania bem nordestina de valorizar mais o que vem de fora. Um intérprete da região na capital paulistaCantor, compositor e poeta popular, mesmo sem ser cantador, Costa Senna começou sua trajetória nos anos 80, inspirado na genialidade dos artistas populares nordestinos como os próprios cantadores. Inspiração que o levou também ao palco como ator nas montagens ´A Irmandade da Santa Cruz do Deserto´, de Oswald Barroso; ´A Noite Seca´, de Geraldo Markan; ´Barrela´, de Plínio Marcos; ´Deus lhe Pague´, de Joracy Camargo; ´Cigania Luzidia´, de Eduardo Braga e outras. No cinema atuou no curta-metragem ´As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thoth´, de Jairo Ferreira e, em 2005, atuou no vídeo-documentário sobre Paulo Freire ´Educar para Transformar´, de Tânia Quaresma. O filme foi baseado em um de seus cordéis. Mora desde 1990 em São Paulo. É ainda autor, em co-autoria, de ´Tome Cinco Camarada´, ´Raul Seixas, O Trem das Sete´ e ´Jesus Brasileiro´. Com sua banda UnirVersos, em São Paulo e agora Maranguape, e desde 2002 lançou os álbuns ´Moço das Estrelas´, ´Costa Senna em Cena´ e ´Fábrica de UnirVersos´.

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