Aos políticos do Brasil ¹

Dai-me, Senhor, assessoria para eu falar aos políticos do Brasil. Será que político escuta alguém? Adianta falar a políticos? E será que tenho coisas a dizer-lhes que eles não saibam, eles que transformam a administração em maligno esquecimento? Adianta-lhes, Senhor, saber alguma coisa, quando perdem os olhos para toda paisagem, perdem os ouvidos para toda melodia e só vêem, só pensam num salário de sua própria legislação? Cegos, surdos, falantes – felizes?– [são os políticos enquanto políticos. Antes, depois são gente como a gente, no pedestre dia-a-dia. Mas quem foi político sabe que outra vez voltará à indesejável invalidez que é signo de miséria exterior. Político é o ser fora do tempo, fora de obrigação e CPF, ISS, ICMS, IPTU, INSS. Os códigos, desarmados, retrocedem de sua porta, as multas envergonham-se de alvejá-lo, as guerras, os tratados encolhem o rabo diante dele, em volta dele. O tempo, afiando sem pausa a sua foice, espera que o político crie vergonha na cara. Mas nascem todo dia políticos novos, reprovados, inoperantes, e ninguém ganha nesta baderna. Pois politicar é destino dos humanos, destino que regula nossa dor, nossa ambição, nosso inferno interior. E quem vive, atenção: cumpra sua obrigação de politicar, sob pena de viver apenas na aparência. De ser o seu cadáver itinerante. De não ser. De estar, ou nem estar. O problema, Senhor, é como aprender, como exercer A “arte” de politicar, que audiovisual nenhum ensina, e vai além de toda universidade. Pobre de quem não aprendeu direito, ai de quem nunca estará maduro para aprender, triste de quem não merecia, não merece politicar. ________________________ 1. Poema da série “Brincando com Drummond”.

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