O depois da guerra

Escrito por Marina

A entrada das pessoas em nossas vidas funciona da seguinte forma: Elas são classificadas de acordo com as situações.

Mas a vida é tão safada, tão escrota e tão cafona que por dezenas de vezes nos fazem conhecer pessoas potencialmente sensacionais em situações deprimentes, em situações em que um ganha e o outro perde. E é justamente nessas situações (e só nessas), em que o sensacional é apenas uma característica e não uma qualidade, que todo e qualquer resto se torna algo menor, algo de pouca ou nenhuma importância.

E se então há um ganhador, há também necessariamente um perdedor. É assim que funciona, e não existe forma boa de lidar com isso.

É como na história que meu pai me contava: Numa guerra, um soldado arrancou o olho de outro com uma colher.

Não era nada pessoal, era apenas guerra.

Sim, todos nós sabemos que na guerra vale tudo, mas e no depois da guerra? Qual o ditado brega para defini-la?

Se depois da guerra, os soldados se esbarrassem no mercado, um apresentaria a esposa para o outro? Se os soldados se encontrassem num churrasco, apertariam as mãos? A guerra não existe mais, já acabou, e não importa mais quem ganhou, porque o que fica não é o resultado, mas a forma como seus soldados lutaram.

Por mais que os dois entendessem que estar na guerra (talvez) não tivesse sido nem uma escolha, um nunca poderia devolver a visão ao outro.

Seriam caminhos que nunca mais se cruzariam por uma situação única, que nada tivera realmente a ver com a pessoa, e sim com a posição que naquele momento ela ocupara.

Não estamos falando de pessoas ruins ou pessoas amargas. Estamos falando de pessoas sensacionais, e que mesmo conscientes disso, não conseguem ou não podem desconsiderar o que ficou de uma guerra.

Enquanto um ganhador se vangloria da sua vitória, um perdedor chora sua derrota. Um babaca e um ferido. Tem como sair coisa boa disso?

http://corramary.com/o-depois-da-guerra/

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