O livro das horas da Praça do Ferreira

Capa: O Livro das Horas...
Jarbas Oliveira e  José Mapurunga fotografaram e escreveram   "O livro das horas da Praça do Ferreira". Uma homenagem a Fortaleza, vista por um de seus lugares mais pitorescos.
Jarbas Oliveira é fotógrafo, com trabalhos publicados nos principais jornais e revistas do país; Mapurunga é um escritor que teve a sorte de nascer numa das cidades mais simpáticas do Ceará: Viçosa – mas decidiu  ganhar o mundo.
Jarbas captou com sua lente; Mapurunga autenticou com o seu texto a trupe de vendedores ambulantes, trabalhadores, desocupados, artistas de rua e  párias sociais de diversas categorias: a mulher do cafezinho, o vendedor de algodão doce, os evangélicos, os jogadores de porrinha, o homem que descasca cocos com os dentes,  os jovens comerciários – frequentadores que batem ponto no chão ou no banco da praça: o velho Valmir, o jornaleiro Paixão, o João Engraxate, o Nietzsche, o Deputado, o poeta Mário Gomes. O livro foi lançado em 2009, na Praça do Ferreira, com projeção das fotos.  Trata-se de obra patrocinada pela Secretaria de Cultura do Município, em homenagem ao aniversário da cidade.
Praça do Ferreira 
Foto panorâmica da Praça do Ferreira
É uma praça da cidade de Fortaleza. Seu nome é referência ao Boticário Ferreira que em 1871, enquanto presidente da câmara municipal, fez uma reforma na área e urbanizou o espaço. Desde 2001, após pesquisa popular, a praça do Ferreira foi oficialmente declarada Marco Histórico e Patrimonial de Fortaleza pela lei municipal 8605 de 20 de dezembro de 2001. Na praça do Ferreira, aglutinaram-se grandes empreendimentos e grandes eventos da sociedade e da cultura fortalezense durante o final do século XIX até a metade do século XX quando a cidade passou por uma expansão urbana e pela criação de outros pólos de desenvolvimento. Em 30 de janeiro de 1942 o Sol foi vaiado por um grupo de pessoas na praça depois de 2 dias de tempo nublado e chuvas. O ano de 1942, foi de estiagem no Ceará
Em 1839 era apenas um campo de areia com um grande poço no centro, alguns cajueiros, rodeada de casebres, onde se destacava apenas os sobrados do comendador Machado, construído em 1825 e o do Pacheco, de 1831, que depois foi sede da Municipalidade. O prédio do Ensino Mútuo ficava na esquina onde hoje fica a Caixa Econômica Federal. Havia na praça o "beco do cotovelo", com casas em diagonal, que foi derrubado por Antônio Rodrigues Ferreira, o boticário Ferreira que, em 1842 foi eleito presidente da Câmara Municipal e como tal aumentou as ruas de Fortaleza, dando-lhes um traçado antes defeituoso. Acabou com o "beco do cotovelo" criando a praça que em 1871passou a denominar-se do Ferreira. Desde então a praça teve as seguintes denominações: Feira-Nova, Pedro II, e da Municipalidade.
No dia 7 de setembro de 1902 houve sua primeira urbanização, pelo intendente Guilherme Rocha, com a construção de um jardim em cujo centro ficava a Avenida que então passou a denominar-se Jardim 7 de setembro, rodeada por colunas de concreto e grades de ferro, ocupando pequeno espaço em frente ao hoje cine São Luiz. Foi construido também cinco artísticos quiosques que abrigavam quatro cafés e um servia de posto de fiscalização da Companhia de Luz. Ali existiam também os célebres frades de pedra, feitos de pedra de lioz vinda de Portugal, com argolas, onde se amarravam os animais. Havia também, no centro do jardim, uma caixa d’água e um catavento, que puxava água para aguar os jardins. Em 1892 um dos cafés foi palco do movimento literário “Padaria Espiritual”.
O prefeito Godofredo Maciel fez uma reforma em 1920 que retirou os quiosques, mosaicou toda a praça e também tapou o poço, fazendo vários jardins e colocando em seu centro um coreto sem coberta, onde a banda da Polícia executava às quintas-feiras suas afamadas retretas. Em 1923 foi colocado outro coreto, este coberto.
Em 1933 Raimundo Girão derrubou o coreto e levantou a Coluna da Hora em estilo “Art Dèco” de cimento e pó de pedra”. Com os festejos pelo fim da Segunda Guerra Mundial em 1945 a praça passou ser considerada e batizada de “Coração da Cidade”. No dia 15 de novembro de1949 o Abrigo Central foi inaugurado, pelo prefeito Acrísio Moreira da Rocha. Concebido inicialmente como terminal de ônibus, fez parte da história de Fortaleza. Poucas pessoas lembram de um centro comercial que funcionava, ininterruptamente, ao norte da Praça do Ferreira da década de 1950, onde antes existia o prédio da Intendência Municipal, bem à frente do prédio do hotel Savanah.
Durante o ano de 1966 o prefeito Murilo Borges, sem nenhuma consulta popular e sob alegativa de que o abrigo estava para ruir, iniciou uma reforma que derrubou a Coluna da Hora e o Abrigo Central. Em 1968 foram encontradas duas urnas no subsolo da praça, uma de 1936contendo moedas, cartas e jornais de época. A reforma terminou em 1969, deixando a praça totalmente diferente. Nessa época a praça teve instalações subterrâneas e que abrigaram a Galeria Antônio Bandeira até sua última reforma.
Em 1991, o poço foi recuperado, quando da última reforma pela qual a Praça passou na gestão de Juraci Magalhães. Descoberto o poço, ele foi mantido e novamente erguida a Coluna da Hora em estilo semelhante a primeira com projeto contemporâneo dos arquitetos Fausto Nilo e Delberg Ponce de León.
Em 2001, a Praça do Ferreira foi escolhida como ícone da cidade. A escolha foi fruto de uma promoção da campanha “Eleja Fortaleza - Declare seu amor pela cidade”, criada pelo Banco Itaú em parceira com o Sistema Verdes Mares.
Eles resolveram traduzir a filosofia da figura essencial da Praça do Ferreira, o poeta Mário Gomes:
“A verdade da vida é compreender a loucura do outro”.

Poeta Mário Gomes

Mário Gomes (Arquivo Vicente Freitas)
Conheci o poeta Mário Gomes, na casa de Juvenal Galeno. Na época, havia lá, o Clube dos Poetas Cearenses, fundado pelo Carneiro Portela. Logo fizemos amizade, e foi assim, na companhia do Mário, que conheci Fortaleza. Todos os recantos da cidade, com certeza. Sua casa, seu escritório: A Praça do Ferreira. Hoje, Mário Gomes, perambula pelas ruas, como um mendigo embriagado. Essa é a vida que leva desde muito tempo. Segundo Márcio Catunda – autor da biografia do poeta – Mário Gomes é uma espécie de "édipo bêbado" a perambular pelas ruas da cidade. Seu compromisso radical é com a máxima liberdade possível. No entanto, o poeta pagou caro por isso: Foi submetido a quase todos os métodos de tortura e violência. No hospício de Parangaba, levou 12 choques elétricos, aos 20 anos de idade. Nessa época de viagens, prisões e recolhimentos em manicômios, já começara a se tornar o boêmio da Praça do Ferreira, onde rabiscava, até mesmo em carteiras de cigarro, seus poemas. Aos 63 anos de idade, o poeta é lenda viva de Fortaleza. Dizem que pirou de vez depois da morte da mãe, mas eu que o conheço, de muito tempo, sei que não. Na mesa do bar do Dragão do Mar resmunga sempre: todo artista tem que ser louco… Veja um de seus poemas.
AÇÃO GIGANTESCA

Beijei a boca da noite
E engoli milhões de estrelas,
Fiquei iluminado.
Bebi toda a água do oceano,
Devorei as florestas...
A Humanidade ajoelhou-se aos meus pés,
Pensando que era a hora do Juízo Final.
Apertei, com as mãos, a terra,
Derretendo-a.
As aves, em sua totalidade,
Voaram para o Além.
Os animais caíram no abismo espacial.
Dei uma gargalhada cínica
E fui descansar na primeira nuvem
Que passava naquele dia,
Em que o sol me olhava assustadoramente.
Fui dormir o sono da eternidade
E me acordei mil anos depois,
Por detrás do Universo.

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