Poemas para as Mães

Para Sempre Carlos Drummond de Andrade Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra – mistério profundo – de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho. A Minha Mãe Pe. Antônio Thomaz Quer viva alegre, quer me punjam dores, Jamais esqueço a minha Mãe querida, Pois trago dentro em mim como esculpida A imagem dela ornada de fulgores. E de contínuo em místicos ardores Se eleva aos céus minha alma enternecida, Pedindo a Deus que lhe prolongue a vida E lhe conceda sempre os seus favores. E quando eu vou rezar à Virgem pura, Sucede que o seu nome se mistura Às minhas preces com frequência tanta... Que eu temo, às vezes, não se manifeste Enciumada a minha Mãe celeste Do grande amor que eu tenho àquela Santa. Augúrio do Céu Nicodemos Araújo Minha mãe, minha mãe, quando te vejo Locomover-se, a custo, pelo chão, Com mais ternura e mais amor te beijo, Sentindo, embora, opresso o coração. Bem conheces, mamãe, que meu desejo, Minha alegria, minha aspiração, Era ver-te de pé, no benfazejo Trabalho a que todas as mães se dão. Mas, o destino assim nos tem negado. E em minha fé, me sinto conformado, Esperando que aos meus ouvidos soe, Por muitos anos, longo tempo ainda, A voz amiga de teus lábios vinda, Neste augúrio do céu: – Deus te abençoe. Dia das Mães Nicodemos Araujo Hoje é o dia das Mães! Em coro de harmonia, Cantam vozes filiais, saudando alegremente A rainha querida e excelsa deste dia, Que reina, pelo amor, no coração da gente. Mãe, tu tens o condão de em dúlcida alegria Converter nosso pranto. O teu afeto ardente, E puro, e generoso, e bom nos propicia A ventura da paz bendita e permanente. Anjo feito mulher, que o amargor adoça, Todo nosso pesar, toda alegria nossa Reflete o teu olhar benévolo e profundo. És seguro fanal da nossa vida errante; –Sentinela de amor bondosa e vigilante Destinada por Deus, para guardar o mundo. Não vejo mais minha Mãe Nicodemos Araujo Ai! Já não vejo aqui a minha mãe querida, Ao balanço da rede orlada de varanda, Apoiando nas mãos a fronte veneranda; Vergada pelo mal que lhe roubou a vida. Não a vejo porque, na sua infausta lida, Levou-a, para sempre, a morte atra e nefanda, Deixando a dor, o pranto e esta saudade que anda A encher meu coração e minha alma ferida. Ó! Deus, na imensidão do vosso amor paterno, Fazei que minha mãe, no Reino sempiterno, Tenha o lugar que aos bons e aos justos reservais. Vosso perdão, Senhor, para a santa criatura Que pôs clarões de sol na minha vida escura: – Minha mãe que, na terra, eu não verei jamais.

Textos disponíveis em http://vicentefreitas.blogspot.com

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