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Mostrando postagens de Maio, 2011

Eles dançam

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Anteontem eu assistia a novela América, quando apareceu a Mariana Ximenes dançando. (O senhor ali do fundo, o intelectual de gola rulê, por favor, não me atire tomates. Muito menos esse volume de Guerra e Paz aí. Vai, vai, resigna-se, homem! Todo mundo assiste novela.) Onde eu estava mesmo? Ah, sim a Mariana Ximenes dançava. Era a coisa mais linda que já vi. Não, não sou homossexual (apesar de ter desejado muito o ser, ao conhecer certos homens. O que, não adiantaria em nada, dizem-me serem os problemas idênticos). Mas, não é preciso ser homossexual para reconhecer a beleza de Mariana Ximenes. E o que quase me matou de inveja: ela dança. Com o corpo todo, sabe? Tem uma graça imensa na maneira como ela dança. 
Sou uma mulher que não dança. Uma meia-mulher. Porque, não dançar é um atestado de feminilidade baixa nos dias de hoje. Não concordo, mas é assim, para os outros. Todas as vezes em que tentei dançar, senti como nunca antes, o peso da gravidade. Meus joelhos emperravam. Meus braço…

Se o Lula falasse inglês...

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Tudo seria diferente se o Lula falasse inglês. Que atire o primeiro pote de barro quem discordar de que não passamos de, como dizia Assis Chateaubriand, uns índios botocudos. Digo isso porque, nos últimos dias, hospedei um amigo de educação britânica e, por muitas vezes, quis enfiar minha cabeça num cesto. 

Também morei numa cidade de colonização britânica por um certo tempo, e percebi que o aprendizado da língua inglesa é bem mais que apenas um idioma. É uma questão de educação, polidez e respeito ao próximo. No início, a rudeza tende a gritar contra o excesso de boas-maneiras e saímos a defender nosso país. Depois, a britanidade vence. A maneira como eles se importam se você está ou não apreciando seu chá não é uma superficialidade, eles realmente estão se importando com isso. Aquele círculo de individualidade que aprendemos nas aulas de inglês, que não se deve invadir, cerca de um metro, torna um abraço algo de um valor inestimável. Há coisas engraçadas na língua, como os adultos e…

Por Tutatis!

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"Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos nos campos fortificados de Babaorum, Aquarium, Laudanum e Petibonum..."
Não bastava ler Asterix. Era preciso ter lido muitas vezes cada exemplar da coleção ensebada e encadernada com papelão. Era preciso saber os nomes, a cor do vestido de Falbalá, quem era o dono da loja de malhar o ferro? Automatix? Eu acho que o Panoramix devia dar um pouquinho só de poção para o Obelix, mas o Obelix caiu no caldeirãao quando era pequeno, mas só um pouquinho não faria diferença, ah, eu não acho não. As listras verticais emagrecem, sim, o Obelix que disse, ixi, se o Idéiafix estivesse aqui iria chorar vendo o vizinho cortando a árvore... Esse tio quando canta é tão chato que devíamos amarrá-lo numa árvore como eles fazem com o bardo Chatotorix no banquete final. Eram…

Ter ou não futuro à luz de Hegel

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Para Hegel, o futuro é o progresso, o devir. O devir é o ser em movimento, as rodas da engrenagem do pensamento indo e indo, barulhentas, aquele zumzum das conexões em nossa cabeça.

Qual é a chave então para que se progrida a até o ser para si? Tcharam ram ram ram! As leis, arrá! Descobrir as leis que governam o entendimento, a sensibilidade, a ação. Então, estou nem ligando, nesse estágio, se a sociedade impõe que deseja que eu seja rica, peituda e feliz como um comercial de margarina. Estou totalmente já desligada do dever-ser, já não me importa mais, as rédeas do status social se arrebentam totalmente. Inclusive, aqui estamos naquela tênue linha entre lucidez e loucura, percebo que já se romperam também as rédeas da razão e principalmente da razão socialmente aceita – que é medíocre e burra.

O salto é livre, jamais imposto, somente proposto. Nesse estágio, já não se baseia mais no outro. Nesse estágio, tudo é apenas – inclusive, e principalmente, o conhecimento e os livros – sugestão…

Em defesa da Crítica

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"Uma tolice dita por um gênio continua a ser uma tolice"
(Bertrand Russel)

O jornalista gaúcho Juremir Machado da Silva foi convidado a retirar-se do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, porque escreveu um comentário que dizia “estou indeciso entre comprar meias ou um livro do Luís Fernando Veríssimo para presentear um amigo no Natal”. Veríssimo zangou-se e pediu para que o Zero escolhesse um dos dois. Adivinhem quem saiu?

Veríssimo é engraçado, inteligente, genial. Mas está padronizado. Alguns autores encontram uma fórmula de sucesso e usam-na exaustivamente, chamam-na estilo. As domingueiras de LFV distribuídas pela Agência O Globo poderiam facilmente ser substituídas por coisa muito melhor, porém escritas por mortais indignos de “améns” e "hosana nas alturas". Então: foi escrito pelo Veríssimo? Ah, é um gênio, sem comentários, nem precisamos criticar, que heresia.

Hoje todo mundo é escritor e o mau-gosto, o "ser engraçadinho" e apesquisa googleniana são cons…