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Mostrando postagens de Janeiro, 2012

Luz

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luz na boca do túnel, apenas sombras me seguem
pelo vão / quanto mais corro
distante parece sacrifício / chegar ao fim
do túnel / luz Vicente Freitas

Pedra

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No meio do caminho tinha uma pedra.
Tinha uma pedra to crack.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de tantos jovens eufóricos.

Uma pedra.

A paranoia de tanta gente boa.

Vicente Freitas

Severina

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paisagem fundida na poeira


árvores / pessoas


tristes, indolentes



o caminho lega léguas de sOl



cascos (dolentes guizos)



cor indefinida


ossos, chão, campos

derretem / coração


deixam-se ficar pelo caminho

órfãos, sem estrelas


– vida árida, severina




Vicente Freitas

Crocodilo

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não sou prateado nem exato

tenho preconceitos

tudo o que vejo
engulo e vomito automaticamente

não sou cruel, porém

agora sou um crocodilo
minha arma é minha mandíbula

não sou prateado nem

– porém verdadeiro

Vicente Freitas

Carnaval

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o amor é um fauno
meio humano, meio bode 
que insiste que insiste

você, minha musa
teria de engolir um girassol
quero dizer, um Van Gogh

o oceano, um lago, uma gota
em relação / o cometa
através da amplidão

a lua, banana inclinada
ilumina teus seios, na madrugada

um caleidoscópio de formas
arco-íris, paradoxo
quarta-feira de

não sei da dança, nem do salto
a soma simples da emoção

– te esqueço na quarta / ou nunca

Vicente Freitas

Matisse

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No meio do asfalto

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18JAN ó garotinha, sem banho pequena (flor) no asfalto onde o sonho dessa noite (?)
onde os conceitos
onde os narcóticos
as repugnantes pedras (?)

se tu pudesse sonhar, dormir
se tua boca pudesse unir-se à poesia                    *  *  *

que teus humores filtrem-se
nessa cápsula de fumaça
entorpecendo / apaziguando
–  tuas retinas fatigadas

Vicente Freitas

Vampiros

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encaixotados, no dia pleno,
estão eles a sonhar com sangue,
pescoços longos e virgens. morcegos das trevas,
cresceram como tal,
pivôs de desacertos – incisivos. irmãos de Satã,
presas retesadas,
prestes a cravar.
olhos negros, OLHOS,
goles de sangue
agridoce, sombras. brancos-negros, mãos mortas,
necessidades mortas,
imortais? – e, agora, EU,
(um brilho de ideias)
o choro da criança. ali já vem um:
transpassa paredes,
vestes negras, ficção? espantalho que voa,
‘honorável’ que se lança
dentro do vermelho. – uma estrela? 
– um vampiro brasileiro. Vicente Freitas

À minha puta ruiva

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não consigo entender as estrelas
o sistema solar existe ?
vivo de teimoso, tei-mo-so
coisa que não agradeço ao capeta. o caminho é tortuoso
digo, da arte, do caos à arte.
desejo a puta, as putas
depressão à coisa séria. nem todos os rinocerontes
têm chifres. afundei-me na lama
e o tempo passou há muito
pelas minhas reservas de siso. A minha página é demasiado
branca, ‘as impurezas do branco’
e a tinta é demasiado densa. hoje não quis escrever
aquilo que à noite sonhara. contudo: a minha puta ruiva
a minha puta uiva. Vicente Freitas

Modelo

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a perfeição sem barriga
esguia / enguia
ela nega o útero. 

beleza sulfúrica,
ar sério, feito cabide
a manequim des-fila.

nua, casaco transparente,
costelas, hastes de prata.

insuportáveis, sem cérebro,
homens da moda,
ditam os passos, na moldura.

ah, essas modelos-vitrines,
páginas virtuais de confeito.

                     *
moradores de rua, dormindo,
relento, o insondável desprezo.

– a nudez. o frio. o algoz.

Vicente Freitas