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Mostrando postagens de Novembro, 2010

Clero, nobreza e povo de Sobral

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Esta resenha é espaço por demais diminuto para colocar a grandeza de Lustosa da Costa, o cronista, o jornalista e o romancista, e dizer da sua vida e da sua obra, e falar do primor e do encanto de sua prosa. Só agora chega-me às mãos o exemplar do seu belo livro "Clero, nobreza e povo de Sobral", acompanhado de generosa dedicatória que fica creditada à sua indulgente bondade.

Lustosa é colunista do "Diário do Nordeste", em Brasília. Foi Editor Chefe de "Unitário" e "Correio do Ceará". Em fins de 1974 passou a residir na Capital da República onde militou, por muitos anos, na sucursal de "O Estado de São Paulo" e escreveu crônicas no "Correio Braziliense". Em 2000 elegeu-se para a Academia Brasiliense de Letras e ganhou o Prêmio Ideal de Literatura, com o livro de crônicas "Rache o Procópio". Lançou em 2002, na Embaixada do Brasil em Lisboa, a edição portuguesa de seu romance "Vida, paixão e morte de Etelvino So…

O leilão da virgindade

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A virgindade tem seu conceito construído pela sociedade desde a antiguidade, e pode variar entre as culturas, sendo muito valorizado em alguns meios sociais ou religiosos. Em lato sensua palavra virgindade ou virgem está associada à mulher, e está fortemente correlacionada à integridade do hímen, por isso, em algumas culturas, é aceitavel a prática de outras formas de sexo que não o rompa, tais como o sexo anal ou oral, por conseguinte, o status de virgem da mulher é mantido.

É de conhecimento geral que historicamente os costumes e as tradições fizeram com que a mulher fosse criada dentro de uma doutrina onde só podiam deixar de ser virgens após o casamento. Na Grécia antiga, por exemplo, as jovens que perdiam a virgindade eram vendidas como escravas por arruinarem a honra familiar. Por outro lado na Roma imperial, um pai podia matar a filha e o homem que a seduziu se ela perdesse a virgindade antes do casamento. Já os orientais seguem essa doutrina e fazem valer os costumes de seus a…

Carência Afetiva Versus Carência Sexual

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Em um trecho da música “Não há estrelas no céu”, do célebre cantor português Rui Veloso, ele afirma: “Por mais amigos que tenha, sinto-me sempre sozinho”. Será isso verdade? Não sei quanto a vocês, mas decidi formar ideias sobre o assunto.

Desconheço se é unânime, mas qual de nós já não esteve rodeado de muitas pessoas, porém, mesmo assim, continuou se sentindo sozinho? Por outro lado, quantos terão saído por aí sem freios, buscando relações sexuais, e no final sentiu aquele vazio, que acreditava fosse desaparecer?

É! Realmente isso acontece com mais frequência do que possamos imaginar. Talvez, porque a maioria de nós desconheça o verdadeiro sentido de “carência”, visto que o conceito se apresenta de muitas formas (carência econômica, legal, moral, etc.). Portanto, vamo-nos ater à concepção que nos interessa: a do âmbito da Psicologia. Buscaremos, paralelamente, os significados das palavras “afetiva” e “sexual”.

O termo “carência” vem do latim vulgar carentia. Significa “falta de algo ne…

Porque não podemos simplesmente nos formatar?

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Recentemente apercebi-me que por mais lembranças que tenhamos sempre nos remontamos às recordações mais tristes ou que nos fazem sofrer. Algumas recordações conseguem nos transportar para lugares onde estivemos no passado, coisas que vivemos, e por vezes conseguimos acordar lembranças adormecidas. Infelizmente a memória não se apresenta ao nosso bel prazer, por conseguinte vamos tentar compreender um pouco mais sobre o seu conceito e a sua forma de funcionamento e o que a ciência reserva para o futuro.

O conceito de memória pode ser confuso e complexo variando com a especialidade a ser aplicado, desta forma vamos analisar este termo inicialmente em lato sensu.

A palavra memória vem do latim memoria, “lembrança”, “recordação”, “reminiscência”, é a faculdade de reter as ideias, impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. É a capacidade de adquirir, armazenar e recuperar informações disponíveis no cerebro. Tem como foco coisas particularizadas, necessitando de grande energia ment…

A arte de ser resiliente

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Atualmente é habitual ouvirmos no dia a dia que temos que ser resilientes, ou que a resiliência deveria ser intrínseco ao ser humano, assim como os olhos, o coração etc. Se calhar até você já falou isso, mas por ventura já procurou saber o verdadeiro significado da palavra resiliência? Ou como pode ser proveitosa na sua vida, no seu trabalho, relacionamentos enfim no quotidiano? O assunto da resiliência é trabalhado em todas as áreas como saúde, finanças, indústria, sociologia, e psicologia.
No Brasil a resiliência é um tema recente, por isso o seu conceito por vezes torna-se incompreensível ou polêmico, porém este já é utilizado na America do Norte há alguns anos. Atualmente podemos encontrar alguns livros que abordam o tema da resiliência como Resiliência: Descobrindo as Próprias Fortalezas de Aldo Melillo e Elbio Néstor Suárez Ojeda, El Poder de La Resiliencia de Brooks, entre outros.
O que seria a arte da resiliência? A palavra “resiliência” origina do inglêsresilient e foi inicialm…

Agostinho Neto - o poeta maior de Angola

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Nasceu em Catete, Angola, a 17 de setembro de 1922; faleceu a 10 de setembro de 1979. Estudos primários e secundários em Angola, licenciado em Medicina pela Universidade de Lisboa. Em Portugal, sempre esteve ligado à actividade política, onde com Lúcio Lara e Orlando de Albuquerque fundou a revista Momento, em 1950. Como aconteceu a outros escritores africanos foi preso e desterrado para Cabo Verde, tendo mais tarde conseguido a fuga para o continente. Presidente do MPLA, foi o primeiro presidente de Angola.
Obra Poética:Quatro Poemas de Agostinho Neto, 1957, Póvoa do Varzim; Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império; Sagrada Esperança, 1974, Lisboa, Sá da Costa (inclui os poemas dos dois primeiros livros); A Renúncia Impossível, 1982, Luanda, INALD (edição póstuma). Quitandeira
A quitanda. Muito sol e a quitandeira à sombra da mulemba. - Laranja, minha senhora, laranjinha boa! A luz brinca na cidade o seu quente jogo de claros e escuros e a vida brinca em corações aflitos o j…

As leituras de Fernando Pessoa

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Conhecer o que lia Fernando Pessoa, as anotações que fazia nos seus livros, como surgiam ideias durante suas leituras. Agora, isso vai ser possível: já está disponível na internet a biblioteca digital do poeta português, no site da casa-museu dedicada a ele. Os livros são os que acompanharam o poeta desde a adolescência - na época em que ele ainda morava na África do Sul. "O livro mais antigo é do século 19, quando Pessoa tinha 12 a 14 anos. São livros que vão desde essa época até sua morte, com 47 anos", conta o professor Jerônimo Pizarro, responsável pelo trabalho. O último livro foi parar na biblioteca do escritor em outubro de 1935, um mês antes de sua morte. No total, o espólio de Fernando Pessoa que está na casa-museu reúne 1.312 títulos. No entanto, apenas pouco mais de 1.100 estarão disponíveis para consulta.
Conheça: http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/

Emília no País da Gramática

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– E assim, se foi formando, e se vai formando a língua. Uma língua não para nunca. Evolui sempre, isto é, muda sempre. Há certos gramáticos que querem fazer a língua parar num certo ponto, e acham que é erro dizermos de modo diferente do que diziam os clássicos.

– Que vem a ser os clássicos? – perguntou a menina.

– Os entendidos chamam clássicos aos escritores antigos, como o Padre Antonio Vieira, Frei Luis de Sousa, o Padre Manuel Bernardes e outros. Para os carrancas, quem não escreve como eles está errado.
Mas isso é curteza de vistas. Esses homens foram bons escritores no seu tempo. Se aparecessem agora seriam os primeiros a mudar ou a adotar a língua de hoje, para serem entendidos. A língua variou muito e sobretudo aqui na cidade nova. Inúmeras palavras que na cidade velha querem dizer uma coisa, aqui dizem outra. BORRACHO, por exemplo, aqui quer dizer bêbedo; lá quer dizer filhote de pombo – vejam que diferença! ARREAR, aqui, é selar um animal; lá é enfeitar, adornar.

– Então lá há …

O depois da guerra

Escrito por Marina A entrada das pessoas em nossas vidas funciona da seguinte forma: Elas são classificadas de acordo com as situações. Mas a vida é tão safada, tão escrota e tão cafona que por dezenas de vezes nos fazem conhecer pessoas potencialmente sensacionais em situações deprimentes, em situações em que um ganha e o outro perde. E é justamente nessas situações (e só nessas), em que o sensacional é apenas uma característica e não uma qualidade, que todo e qualquer resto se torna algo menor, algo de pouca ou nenhuma importância. E se então há um ganhador, há também necessariamente um perdedor. É assim que funciona, e não existe forma boa de lidar com isso. É como na história que meu pai me contava: Numa guerra, um soldado arrancou o olho de outro com uma colher. Não era nada pessoal, era apenas guerra. Sim, todos nós sabemos que na guerra vale tudo, mas e no depois da guerra? Qual o ditado brega para defini-la? Se depois da guerra, os soldados se esbarrassem no mercado, …